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Marilyn
«Pensemos em Marilyn, que encarnava o idílio de todo homem com a América; Marilyn Monroe, que era loira e bonita, e tinha uma doce voz fina e toda a limpidez dos límpidos jardins das casas americanas. Ela foi o nosso anjo, o doce anjo do sexo, e o açúcar do sexo brotava dela como a ressonância sonora das mais finas veias de um violino. Nos cinco continentes, os homens mais versados em amores desejavam-na, e por ela pulsavam também as típicas pústulas do adolescente que acaba de encontrar o seu primeiro emprego numa bomba de gasolina, já que Marilyn era a libertação, um autêntico Stradivarius do sexo, tão deslumbrante, indulgente, cómica, complacente e terna que até o músico mais medíocre compensava a sua falta de arte com a magia evanescente do seu violino». Assim começa ―e continua, sem perder o fôlego― este retrato inesquecível de um dos grandes ícones do século xx, uma atriz extraordinária que brilhou com luz própria em alguns marcos do cinema norte-americano como "Con faldas y a lo loco", "La tentación vive arriba", "Los caballeros las prefieren rubias" ou "Vidas rebeldes", antes de se apagar e desaparecer com apenas 36 anos. O que inicialmente deveria ser um prólogo para um livro de grande formato com fotografias de Marilyn Monroe que foi confiado a Norman Mailer ―que por então já era uma lenda da literatura norte-americana―, tornou-se, sob o prisma incansável e arrebatado do mestre do Novo Jornalismo, numa das biografias mais intensas e desenfreadas que alguma vez foram escritas. Este foi um dos livros mais vendidos de Mailer ―não isento de polémica, porque sugere que a morte da atriz poderá ter sido um assassinato perpetrado desde as mais altas esferas―, que agora recuperamos numa nova tradução para celebrar o centenário do nascimento da atriz.