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Las malas
Camila compreende, desde muito cedo, que a identidade que o mundo lhe atribui não coincide com aquela que ela sente como sua. Ao mudar-se para Córdoba (Argentina) para estudar, a precariedade leva-a a passar noites no parque, onde encontra um grupo diverso de mulheres trans que convivem em torno da casa rosa da Tía Encarna. Ali tecem-se laços que permitem resistir à violência policial, ao estigma social e à insegurança económica. Nesse ambiente, Camila escuta, narra e vai tecendo a sua própria história de transição para a idade adulta.
Las malas é um romance deslumbrante que transforma a vida de um grupo de travestis num território mítico, feroz e humano. Camila Sosa Villada constrói um testemunho íntimo
e ao mesmo tempo questionador, que amplia o campo da narrativa sobre a identidade e a experiência trans. Aclamado pela crítica e pelos leitores, premiado internacionalmente e traduzido para várias línguas, Las malas consolidou-se como um livro imprescindível da literatura latino-americana contemporânea.
A linguagem gráfica de Sonia Pulido — a sua paleta vibrante, os contrastes potentes, os corpos grandes e empoderados — amplifica o sentido crítico do texto, ao mesmo tempo que sublinha a ternura da comunidade travesti. Os quadros repletos de símbolos — carros, lábios, olhos, luas, armas, lâminas, terços, lágrimas — funcionam quase como um retábulo trans, um altar profano onde coexistem o perigo, o desejo, a religiosidade popular e o humor.