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Han cantado bingo
Han cantado bingo é a estreia narrativa da poeta e ilustradora Lana Corujo, um romance que combina imaginação, memória e uma atmosfera singular para explorar a infância, os laços familiares e o peso dos segredos partilhados.
Tudo começa com um jogo. Algumas noites, nos dez minutos suspensos antes da avó regressar do bingo, duas irmãs saem às escondidas pela porta de trás e correm até El Ahorcado, um vulcão redondo como uma barriga virada para cima. Contam até três e regressam sem olhar para trás. Mas numa noite algo muda. Quando se atravessa o território de uma infância marcada pela violência, o olhar sobre o mundo já não volta a ser o mesmo.
O romance estrutura-se em torno de um cartão de bingo com quinze números, que correspondem às idades da protagonista ao longo da história. Cada número introduz um capítulo e assinala a passagem do tempo, enquanto esses dez minutos que dura uma partida se tornam num espaço onde tudo parece possível. Através desta estrutura simbólica, a autora retrata uma família atravessada por um dom que se herda e também se sofre.
Com uma linguagem poética, brincalhona e ao mesmo tempo inquietante, Corujo mergulha nos silêncios familiares, na culpa, nas festas populares e nas feridas que atravessam a infância. A paisagem vulcânica de Lanzarote, nas Ilhas Canárias (Espanha), áspera como o rofe que cobre a ilha, torna-se num cenário simbólico onde memória, medo e afeto convivem em tensão constante.
Aclamado pela crítica pela sua intensidade emocional e pelo seu imaginário visual, Han cantado bingo constrói uma narrativa singular sobre o fim da infância e sobre a cumplicidade que pode surgir entre duas irmãs que partilham um segredo.